O tratamento de câncer de próstata levanta muitas dúvidas e uma das mais frequentes é sobre a fertilidade. É comum pensar: “Depois do tratamento, ainda poderei ter filhos?”
A resposta não é única, mas também não é um “não” definitivo, pois tudo depende do tipo de terapia, da idade e da saúde reprodutiva antes do diagnóstico.
Esse é um tema que precisa ser conversado com clareza. Receber um diagnóstico de câncer de próstata já é um momento delicado e pensar no futuro, inclusive na possibilidade de formar ou ampliar a família, faz parte do processo de cuidado com a saúde.
Mas a boa notícia é que existem maneiras de preservar a fertilidade. Por isso, contar com o acompanhamento de um especialista faz toda a diferença.
A seguir, veremos como o tratamento pode afetar a função reprodutiva masculina e quais estratégias existem para manter viva a possibilidade de ter filhos.

O tratamento de câncer de próstata e seus efeitos sobre a fertilidade
O tratamento de câncer de próstata pode afetar a fertilidade, mas cada caso é único e diferentes abordagens podem impactar a fertilidade de maneiras distintas:
- Cirurgia (prostatectomia radical): nesse procedimento, retira-se a próstata, muitas vezes junto com as vesículas seminais. Isso impede a produção do fluido seminal, que transporta os espermatozoides. Após a cirurgia, a ejaculação não ocorre naturalmente.
- Radioterapia: a radiação pode afetar os testículos e reduzir a quantidade ou a qualidade dos espermatozoides.
- Terapia hormonal: usada para reduzir a testosterona e controlar o câncer, pode levar à infertilidade temporária ou até permanente em alguns casos.
Mesmo com esses efeitos, não significa que todos os homens se tornarão inférteis. Afinal, atualmente, há formas de preservar o sêmen antes do tratamento ou recuperá-lo depois com técnicas médicas modernas.
Como o tratamento interfere na função reprodutiva masculina
O foco principal do tratamento é combater o câncer, mas ele também pode afetar algumas estruturas importantes para a reprodução.
A próstata contribui para a formação do sêmen, misturando seu líquido aos espermatozóides produzidos nos testículos.
Quando ela é retirada ou irradiada, a ejaculação natural deixa de ocorrer, impedindo que os espermatozóides sejam liberados espontaneamente.
Alguns tratamentos também podem alterar a produção hormonal, reduzindo a testosterona, o desejo sexual e até a capacidade de ereção.
Parte dessas mudanças pode ser temporária, mas outras podem ser permanentes, dependendo do tipo e da intensidade do tratamento.
Por isso, antes de iniciar qualquer procedimento, é fundamental conversar com o médico sobre planos futuros de paternidade. Assim, é possível planejar estratégias para preservar o material genético e manter viva a possibilidade de ter filhos.
Preservando a fertilidade antes do tratamento de câncer de próstata
Hoje, existem maneiras seguras e eficazes de proteger a fertilidade antes do início do tratamento. A mais indicada é o congelamento de sêmen.
O procedimento é simples, rápido e pode ser feito logo após o diagnóstico, antes da cirurgia, radioterapia ou terapia hormonal.
A coleta do sêmen ocorre em laboratório e sua armazenagem é em tanques de nitrogênio líquido, onde pode permanecer em boas condições por muitos anos.
Mas quando a coleta natural não é possível, há outras alternativas. Por exemplo:
- Coleta cirúrgica de espermatozóides diretamente dos testículos (TESE ou PESA);
- Congelamento de tecido testicular, indicado em situações mais específicas.
Essas amostras podem servir futuramente para técnicas de reprodução assistida, como fertilização in vitro (FIV) ou injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), permitindo a gestação mesmo quando a ejaculação natural não ocorre.
E depois do tratamento de câncer de próstata? Ainda é possível ter filhos?
Depende do caso. Alguns homens recuperam parte da função reprodutiva com o tempo, especialmente quando a aplicação da radioterapia ou a terapia hormonal foram em doses menores.
Após a cirurgia, a ejaculação natural não volta, mas isso não impede a possibilidade de ter filhos.
Nesse cenário, a reprodução assistida, utilizando espermatozóides coletados diretamente dos testículos ou previamente congelados, permite que o sonho da paternidade se realize.
Além disso, é possível recuperar o desejo sexual e a ereção com acompanhamento médico e o uso de medicamentos ou terapias específicas quando necessário.
O essencial é saber que é possível preservar ou restaurar a fertilidade e que planejar isso faz parte do cuidado integral com a saúde.
O impacto emocional e a importância de conversar
O câncer de próstata afeta mais do que o corpo. Afeta autoestima, sensação de masculinidade e planos de vida. Por isso, é natural sentir medo ou insegurança, especialmente sobre a fertilidade.
Portanto, conversar sobre essas questões com o médico e com o parceiro(a) é fundamental.
Perguntar, esclarecer dúvidas e conhecer todas as alternativas disponíveis ajuda a tomar decisões conscientes e fortalece a confiança no futuro.
Afinal de contas, saber que existem opções para preservar a fertilidade traz segurança e permite encarar o tratamento com mais tranquilidade.
Informação e planejamento fazem a diferença
O tratamento de câncer de próstata não significa o fim da fertilidade. Com planejamento, acompanhamento especializado e o uso de técnicas modernas de preservação e reprodução assistida, é possível ter filhos após o tratamento.
Cada paciente tem uma história única e o que faz diferença é receber orientação personalizada desde o início.
Entender as opções, agir no momento certo e cuidar da saúde de forma consciente são passos essenciais para manter as portas abertas para o futuro.
Eu sou o Dr. Lucas Claros, urologista com foco em reprodução humana e acredito que cuidar da saúde também é cuidar dos seus planos e sonhos.
Por isso, meu papel é te orientar de forma clara, acolhedora e responsável, para que você siga esse caminho com segurança e confiança.
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