Lucas Claros

Abortamento de repetição: o que pode estar por trás 

O abortamento de repetição é uma experiência dolorosa, cheia de dúvidas e sentimentos difíceis de lidar. 

Quando a gestação não chega ao fim mais de uma vez, é natural que o casal se pergunte o que está acontecendo e principalmente se um dia será possível viver uma gravidez tranquila.

Mas a boa notícia é que há sim uma explicação na maioria dos casos. Com o diagnóstico certo e o acompanhamento adequado, é possível tratar as causas e dar um novo passo rumo à realização do sonho de ter um filho.

Neste texto, veremos de forma simples e clara o que pode estar por trás do abortamento de repetição, como é feita a investigação e quais são as opções de tratamento.


Abortamento de repetição: quando é considerado e o que realmente significa

O abortamento de repetição é diagnosticado quando acontecem duas ou mais perdas gestacionais consecutivas antes da 20ª semana. 

Isso não quer dizer que a mulher não possa engravidar novamente, mas é um sinal importante de que o corpo pode estar tentando mostrar que algo precisa de atenção.

Perder uma gestação é algo muito mais comum do que se imagina, especialmente nas primeiras semanas. Mas o problema começa a preocupar quando a situação se repete. 

Nesses casos, é fundamental investigar as possíveis causas, que podem ser físicas, hormonais, genéticas ou até relacionadas ao sistema imunológico.

Muitas mulheres acabam se culpando, achando que fizeram algo de errado. Mas, na imensa maioria das vezes, a causa está fora do controle da paciente e pode ter tratamento com o acompanhamento certo.


O que pode causar o abortamento de repetição

Existem várias razões pelas quais o abortamento de repetição acontece. Entender o que está por trás disso é o primeiro passo para resolver o problema. As causas mais comuns incluem, por exemplo:

  • Alterações genéticas: cerca de metade das perdas recorrentes estão ligadas a anormalidades cromossômicas, muitas vezes herdadas de um dos pais.
  • Problemas anatômicos no útero: malformações, miomas ou cicatrizes podem atrapalhar a fixação do embrião e o crescimento saudável da gestação.
  • Distúrbios hormonais: doenças como a síndrome dos ovários policísticos ou disfunções da tireoide podem afetar a ovulação e dificultar a manutenção da gravidez.
  • Fatores imunológicos: o corpo da mulher pode reagir contra o embrião por entender que ele é algo “estranho” em alguns casos.
  • Trombofilias: distúrbios que dificultam a circulação sanguínea adequada para a placenta, interferindo no desenvolvimento fetal.
  • Fatores externos: infecções, tabagismo, consumo excessivo de cafeína ou exposição a substâncias tóxicas também podem ter influência.


Muitas vezes, mais de uma causa pode estar envolvida. Por isso, é fundamental uma avaliação completa e personalizada. Afinal de contas, cada caso é único. Portanto, o tratamento precisa ser pensado sob medida.


Como é a investigação do abortamento de repetição

Depois de duas ou mais perdas, é hora de olhar mais a fundo. A investigação do abortamento de repetição envolve uma série de exames e conversas detalhadas com o especialista. 

O objetivo é entender o histórico da paciente, seus hábitos, assim como seu organismo.

Os exames mais comuns incluem, por exemplo:

  • Cariótipo do casal: identifica alterações genéticas hereditárias.
  • Ultrassonografia e histeroscopia: avaliam a anatomia do útero e possíveis alterações estruturais.
  • Dosagem hormonal: analisa os níveis de progesterona, prolactina e hormônios da tireoide.
  • Exames imunológicos e de trombofilia: verificam se há fatores autoimunes ou distúrbios de coagulação.


Além dos resultados laboratoriais, é essencial uma conversa aberta e empática com o médico. 

Mas o contexto emocional também importa. Desse modo, o estresse, o medo e as frustrações acumuladas também podem afetar o processo reprodutivo.

Em cerca de 40% dos casos, os exames não mostram uma causa clara. Mesmo assim, com o acompanhamento adequado e mudanças de estilo de vida, muitas mulheres conseguem engravidar e levar a gestação até o fim com sucesso.


Tratamentos e chances reais de sucesso

Sim, o abortamento de repetição tem tratamento e as chances de uma gravidez bem-sucedida são excelentes em boa parte dos casos.

O tipo de tratamento depende diretamente da causa identificada. Por exemplo:

  • Alterações genéticas: podem ser contornadas com o uso da fertilização in vitro e o teste genético embrionário (PGT).
  • Problemas uterinos: é possível corrigir com cirurgias minimamente invasivas, como a histeroscopia.
  • Distúrbios hormonais: controlados com medicações específicas e reposição hormonal.
  • Trombofilias e causas imunológicas: tratadas com anticoagulantes ou medicamentos que equilibram a resposta imunológica.


Em paralelo ao tratamento médico, o apoio emocional também é indispensável. Afinal, passar por repetidas perdas gera dor, ansiedade e medo.

Por isso, contar com acompanhamento psicológico faz parte da recuperação. A mente e o corpo precisam caminhar juntos nessa fase.


O papel do especialista: acolhimento e cuidado de verdade

Investigar e tratar o abortamento de repetição vai muito além de pedir exames e prescrever medicamentos. É um processo que exige sensibilidade, escuta e empatia.

Cada mulher vive o luto e a esperança de forma diferente. Por isso, o acompanhamento precisa ser humano e individualizado. 

O especialista em reprodução humana tem o papel de orientar com clareza, sem promessas irreais, mas sempre mostrando se há possibilidades concretas.

Um diagnóstico bem-feito, aliado a um cuidado próximo e a uma comunicação transparente, ajuda a transformar o medo em confiança. É justamente essa confiança que renova a força para tentar novamente.


Quando o cuidado certo transforma o recomeço

O abortamento de repetição é uma jornada difícil, mas não é o fim da história. Na maioria dos casos, entender o que está acontecendo e tratar de forma adequada muda completamente o rumo das próximas tentativas.

Com o acompanhamento certo, muitas mulheres conseguem engravidar e viver uma gestação saudável. É isso que me motiva a seguir cuidando com atenção e respeito cada nova história que chega até mim.

Sou o Dr. Lucas Claros, urologista com foco em reprodução humana. Meu propósito é caminhar ao seu lado com empatia, clareza e responsabilidade em cada etapa dessa jornada. 

Quer começar essa nova fase com segurança e esperança? Então, clique aqui e agende sua consulta comigo!

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